banner central inseed

Notícia

Concorrência no Mercado de Ti deve aumentar

03/05/2010 Imagem do sapo

Ainda que a trajetória de ondas de fusões e aquisições no setor de tecnologia da informação (TI) deva continuar vigorosa nos próximos anos, isso não significará, necessariamente, uma tendência de maior consolidação do setor, que ainda é bastante pulverizado.Com taxas de crescimento bastante expressivas mesmo com a crise financeira mundial, estimativas do mercado apontam um crescimento de 30% em 2009 , a expectativa é de que, nos próximos anos, ocorra um aumento da competição no provimento de soluções em TI.


Ainda que a trajetória de ondas de fusões e aquisições no setor de tecnologia da informação (TI) deva continuar vigorosa nos próximos anos, isso não significará, necessariamente, uma tendência de maior consolidação do setor, que ainda é bastante pulverizado.
Com taxas de crescimento bastante expressivas mesmo com a crise financeira mundial, estimativas do mercado apontam um crescimento de 30% em 2009 , a expectativa é de que, nos próximos anos, ocorra um aumento da competição no provimento de soluções em TI.
Tal cenário se justifica pela: (i) redução da barreira à entrada para novos competidores; (ii) entrada mais agressiva nesse mercado de empresas de outros segmentos incluindo operadoras de telecomunicações e fabricantes de eletroeletrônicos; e (ii) a continuidade da expansão das empresas de TI.
Dada a constante dinâmica das inovações tecnológicas, as barreiras à entrada no setor estão se reduzindo. Isso vem permitindo um intenso fluxo de novas empresas no setor cujo destaque é a inovação, assim como a entrada de empresas que operavam tradicionalmente em outros setores mas que possuem certa sinergia com o setor passem a prover serviços de TI.
Um fator de extrema importância para a redução das barreiras à entrada no mercado de TI é o modelo de negócio de grandes fabricantes de dispositivos de comunicação móvel, incluindo a Apple com o seu iPhone, a RIM, fabricante do BackBerry, e mais recentemente, o Google com seu Nexus One. Ao conjugar aparelhos que são sucesso de vendas com sistemas operacionais flexíveis e até mesmo abertos como é o caso do Android, do Google essas empresas têm como peça chave do seu modelo de negócios atrair o maior número possível de desenvolvedores independentes de novos aplicativos para os seus smartphones e equipamentos do gênero, como os quais compartilham as receitas de vendas.
Para as pequenas empresas inovadoras, as vantagens de entrar nessas grandes plataformas são mais do que evidentes, uma vez que passam a contar com um parceiro que oferece um sistema operacional acessível e uma ampla capacidade de distribuição, sendo esses dois fatores os responsáveis pela grande redução a barreira no mercado TI.
Sem dúvida alguma, essa modelo de negócio é uma grande ameaça às grandes empresas de software, como a Microsoft, por exemplo, que possuía uma enorme vantagem competitiva justamente em dispor de sistema operacional fechado e em sua grande capacidade de distribuição.
É justamente esta redução das barreiras à entrada de novas empresas no mercado de TI, aliado ao forte incentivo para a inovação que se pode esperar, que o setor de TI deverá continuar apresentando um baixo índice de concentração.
Reforça essa expectativa de crescente competição no setor de TI a tendência crescente de entrada das operadoras de telecomunicações neste mercado. Tendo em vista que o processo de convergência tecnológica dos tradicionais serviços de telecomunicações já é uma realidade, as operadoras do segmento estão em busca de novos nichos de atuação com maior potencial de rentabilidade para compensar o processo de "commoditização" de seus mercados originais. Como ainda possuem grande fôlego financeiro, as empresas estão diversificando seus projetos de investimento, atuando mais intensamente no provimento de serviços que possuam certa sinergia, como os de TI.
Assim, com a entrada no segmento, as empresas de telecom, até então especializadas em atuar na comunicação de dentro para fora das empresas e domicílios, passaram também a gerir a comunicação interna das corporações e, em menor grau, das residências.
Estreitamento entre telecom e TI deverá ocorrer de forma mais intensa na esfera corporativa
Os movimentos mais expressivos de estreitamento entre os setores de telecom e TI deverão ocorrer na esfera corporativa. Algumas teles já começaram a ofertar serviços de terceirização completa de informática, chegando a assumir a totalidade das operações de TI do cliente. Através de um comodato, a operadora oferece desde os computadores até equipamentos, como servidores, impressoras, roteadores e sistemas de conexão à internet.
Desde 2007, a Telefônica oferece soluções em TI, que consistem na oferta conjunta de computador com banda larga, manutenção e assistência técnicas dos equipamentos e serviços. No segundo semestre de 2009, a empresa expandiu seu serviço, passando a oferecer soluções de automatização de processos, melhoria de performance do ambiente e de aplicações, entre outros.Atualmente, a empresa tem cerca de 3 mil clientes no Brasil neste segmento.
O próximo passo, previsto para 2011, é a oferta de aplicações no modelo de cloud computing (computação em nuvem), que consiste basicamente em concentrar os aplicativos pela internet. Em fevereiro, a Telefônica anunciou uma parceria com a NEC visando prover soluções de computação em nuvem na América Latina, com foco principal em pequenas e médias empresas. Com o acordo, a operadora vai oferecer serviços que incluem software (Saas), desktop virtual/PC e outras ofertas sob demanda.
A operadora de telefonia móvel TIM também intensificará sua estratégia comercial no mercado corporativo. A empresa quer prover, juntamente com o serviço de telecomunicações, pacotes integrados de soluções de TI. Entre as ofertas estão produtos de automação da força de vendas, automação bancária e administrativa.
Outras operadoras móveis, como Vivo e Claro, também têm produtos com soluções em TI integrados ao de telecom, como automação de forças de vendas, telemetria, vídeo-segurança, telecomando e rastreamento de frota. A GVT oferece serviços agregados no mercado corporativo, como gerenciamento de redes, que permite ao usuário acompanhar, via internet, o status de sua infraestrutura. A operadora está desenvolvendo um serviço que possibilita ao assinante corporativo monitorar, em tempo real, os recursos de voz usados.
Onda de fusões e aquisições deverá se manter nos próximos anos
Paralelamente a este estreitamento entre TI e telecom e o surgimento de novas levas de empresas pequenas empresas altamente inovadoras, a onda de fusões e aquisições que tem ocorrido deverá se manter nos próximos anos, pelo próprio fato de haver, e se esperar que continue havendo, um grande número de pequenas empresas neste setor. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), há 8,5 mil empresas do setor no País, sendo 90% delas micro e pequenas.
A convergência de mercados historicamente segregados, como redes, armazenamento e servidores; a convergência de serviços de software e hardware e o surgimento contínuo de novas aplicações a partir de pequenas empresas inovadoras dão boa parte dos incentivos econômicos para que as empresas do setor busquem ampliar o seu leque de atuação via fusões e aquisições.
Em 2009, as companhias que atuam na área de tecnologia lideraram o volume de operações de fusões e aquisições realizadas no País, segundo a consultoria KPMG. A maior parte dos acordos envolveu as micro e pequenas empresas do setor, embora as grandes empresas continuem com uma política sistemática de aquisições de empresas menores a fim de ampliar seu portfólio de serviços e prover soluções completas para o mercado corporativo.
A Totvs, maior empresa de software do País, vem realizando diversas aquisições nos últimos anos e a expectativa é de continuidade deste processo. Outra grande do setor, a Stefanini também pretende se expandir através de aquisições neste ano.
No mercado internacional, há vários outros movimentos das empresas de TI para incorporar empresas de segmento complementares aos seus visando tornarem-se destinos únicos de compra. Como exemplo, a Oracle, tradicional produtora de software de gestão empresarial, anunciou a compra da Sun Microsystems, empresa de hardware, no início de 2009. A Xerox adquiriu a ACS (especializado em serviços de TI), a Dell (fabricante de PCs) incorporou a Perot Systems, provedora de serviços e a HP comprou a fabricante de roteadores 3Com. Além desses, há um grande conjunto de outras operações com esse perfil.
Após 2009 atípico, empresas brasileiras de TI devem retomar ritmo de expansão
Após um 2009 bastante atípico para as principais empresas brasileiras de TI, este ano deverá ser de retomada de forte crescimento. Analisando os resultados das empresas que possuem capital aberto Totvs, Bematech, Ideiasnet e Tivit , todas vinham apresentando taxas bastante expressivas até 2008. No entanto, o desempenho do ano passado se mostrou um tanto distinto entre as companhias.A Totvs, líder no Brasil no desenvolvimento e comercialização de software de gestão empresarial integrada, vem mostrando resultados expressivos nos últimos anos. Em 2009, a companhia registrou alta de 17% na receita líquida, após expansão de 27,6% em 2008 e de 20,6% em 2007. Ainda que tenha ocorrido uma certa desaceleração em relação aos anos anteriores, o resultado pode ser considerado altamente positivo, dadas as condições adversas verificadas em boa parte do ano, por conta da crise internacional. Melhor evidência disso é de que o indicador de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) aumentou de 21,2% em 2008 para 25,2% em 2009. No primeiro trimestre de 2010, a empresa seguiu com bons resultados. Na comparação com o mesmo período de 2009, o crescimento da receita líquida foi de 14%, enquanto a margem Ebitda foi de 23,4%.
Outra grande empresa do setor, a Tivit, líder em serviços integrados de TI na América Latina, também teve um bom resultado no ano passado, com expansão de 6,2% na receita líquida sobre 2008. A margem Ebitda passou de 18% para 20,3%, na mesma base de comparação. Vale notar que, como essa empresa abriu capital apenas no terceiro trimestre de 2009, não temos uma série longa de seus indicadores para melhor análise do desempenho de 2009 sobre os anos anteriores.
Já a Bematech, primeira empresa no segmento de automação comercial no País, teve desaceleração expressiva em 2009, com crescimento de apenas 3,6% na receita líquida, após expansões de 30,3% em 2008 e de 21,7% em 2007. O indicador de margem Ebitda da empresa também recuou, de 22,7% em 2008 para 15,6% em 2009.
Por fim, o resultado da Ideiasnet foi o mais negativo entre as empresas avaliadas, com queda de 2,5% na receita líquida, após uma alta de 11,8% no ano anterior. (Adriano Pitoli e Camila Saito)
A análise mensal é produzida pela Tendências Consultoria Integrada para a Agência Estado



Fonte:  





<< ver todas as notícias